Chego ao Salmo 147. Não há súplica. Nem lamento. Só louvor.
Um louvor desinteressado que não pede. Não espera retribuição. Apenas reconhece: o Senhor é bom.
É raro. Porque quase sempre queremos algo. Chamamos de oração o que, no fundo, é algo parecido com cobrança.
Mas o salmo mostra outro caminho. Louvar sem pressa. Sem agenda. Sem carência.
Penso em como me sentiria se os gestos de carinho que recebo viessem sempre com segunda intenção. Como moeda de troca. Como isca.
Seria amor? Seria estratégia?
Talvez seja assim que soamos quando só nos aproximamos de Deus para pedir. Quando o nome Dele só nos interessa se trouxer solução. Como será que ele se sente?
O louvor desinteressado rompe isso. Não negocia. Não disfarça urgência de afeto. Só reconhece: Tu és. E isso basta.
Lendo o salmo agradeço, não porque tudo vai bem, mas porque aprendi a ver Deus no que permanece. No que não grita. No que sustenta.
A fé cresce quando para de implorar. E começa a enxergar. E começa a agir.
O louvor, então, vira outra coisa. Não um ato. Mas um modo de vida.
Como uma vela acesa. Que não implora. Nem exige. Só brilha.