Está errado quem acha que cria uma empresa pra trabalhar menos.
Durante muito tempo, acontece o oposto.
Com o tempo — e se houver crescimento — surgem as especializações.
Cargos, funções, divisões.
E com isso, vem a necessidade de delegar.
Mas aqui vale um alerta: o que se delega é o trabalho.
A responsabilidade, não.
Delegar responsabilidade não é delegar.
É delargar.
E é aí que mora o problema.
Em última instância, a responsabilidade pelo que acontece é do dono.
Ele pode até dizer que “não sabia”.
Mas nesse caso, além de desinformado, também é, por definição, irresponsável.
Com o tempo, vêm as facilidades.
Ou melhor: as comodidades.
Mas o peso da responsabilidade não some.
Ele muda de forma — mas continua ali.
Na EximiaCo, minha empresa, nem tudo funciona como eu gostaria.
Talvez o problema esteja na estrutura que eu permiti.
Ou nas pessoas erradas nos lugares certos — ou nas certas nos lugares errados.
Também responsabilidade minha.
Ou talvez, o problema seja mais direto:
sou eu.
Mas enquanto há problema, há trabalho. E enquanto há dependência direta, a criação não está pronta.
Uma empresa só está “criada” quando pode funcionar bem — sem depender funcionalmente do criador.
Antes disso, é só uma ideia boa com um dono cansado.