Começo meu dia com o Salmo 139.
Atribuído a Davi, é uma meditação sobre a onipresença, onisciência e onipotência de Deus.
O salmista reconhece: não há fuga. Deus está em todo lugar. Em todo tempo.
Mas o salmo vai além. Celebra a criação. Cada ser humano é formado com intenção.
“Assombrosamente maravilhoso.”
Somos moldados antes de nascer. Conhecidos antes de existir. Uma intimidade que ultrapassa o entendimento humano.
Essa visão desmonta nossa lógica de tempo. Diante da eternidade, a sequência perde força.
O salmo toca na teologia apofática; Deus não é apenas amor. É mais do que podemos chamar de amor. Não está sujeito ao tempo. Está além dele. “Um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia.”
Mas o salmo também confronta. Se Deus está sempre presente, se tudo vê, nossa conduta deveria refletir essa consciência. Não por medo. Mas por desejo de agradar.
Como em qualquer relação verdadeira. Com o tempo, aprendemos a escolher o que faz bem ao outro.
Esse é o ágape: amor que se doa. Que prioriza o outro. Assim deve ser a relação de Deus e com Deus.
A presença de Deus não vigia. Sustenta. Não oprime. Consola.
O salmo termina com um pedido direto: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração.”
Não é uma frase poética. É vulnerabilidade corajosa. Coragem de encarar o que se esconde. Não porque Deus precise saber. Ele já sabe. Mas porque, ao reconhecer, abrimos espaço para ser transformados.
A pergunta permanece: Estamos dispostos a ver com Ele o que escondemos até de nós mesmos?