Chego a Eclesiastes 10.
Salomão muda o tom. Depois de refletir sobre a morte, ele fala sobre como viver e, sobretudo, como não se perder na tolice. Sabedoria não se constrói apenas com grandes decisões, mas também com pequenos cuidados.
Ele começa com uma imagem simples: uma mosca morta estraga o perfume. É um aviso: basta um erro para arranhar anos de acerto.
Ele diz que o sábio se inclina para o certo; o tolo, para o errado. E nem tenta disfarçar. Fala demais, se expõe, deixa a insensatez escapar antes mesmo de pensar. Ouvir mais e falar menos continua sendo um conselho seguro.
Salomão também olha para os governos. É perturbador ver despreparados no poder e competentes sendo humilhados. Ele aconselha serenidade: firmeza sem precipitação. A sabedoria política exige calma, mesmo quando a injustiça provoca.
Ele fala ainda do trabalho. Todo ofício tem risco. Por isso, é preciso afiar o machado: preparar-se, treinar, estudar. Quem se adianta na prevenção evita perdas. Quem demora, perde o momento. A excelência pede prontidão.
Do sábio, saem palavras que abrem portas. Do tolo, palavras que destroem. A tolice fala até virar loucura. O silêncio, às vezes, é o discurso mais sábio: melhor deixar dúvida do que confirmar a insensatez.
Sobre liderança, ele distingue o imaturo, que usa o poder para festas e excessos, do nobre, que usa para servir. A preguiça derruba a casa; e confiar que o dinheiro resolve tudo é engano antigo.
No fim, Eclesiastes 10 é um mapa. Cuidar do coração. Da língua. Do trabalho. Das reações. Das escolhas