Começo o dia com o Salmo 130. Um dos cânticos de peregrinação. Era entoado enquanto o povo subia a Jerusalém. Rumo ao templo. Rumo ao encontro.
Sem autoria declarada. Mas muitos atribuem a Davi. É conhecido por seu início marcante: “Das profundezas” — De Profundis.
As profundezas representam o que há de mais denso na alma.
Pecado. Aflição. Culpa.
Lugar de onde não se volta, a não ser pela misericórdia.
É um salmo nascido da dor.
Mas uma dor que virou palavra.
E palavra que virou esperança.
Louvado seja Deus, que permitiu que essas dores virassem poesia.
Hoje, elas ainda ecoam.
Lição e consolo para quem crê.
Aos angustiados, o salmo ensina o caminho. Não é fuga. É volta.
Arrependimento sincero. Coração quebrado. Não há outra entrada.
O salmista reconhece:
Se Deus nos julgasse por merecimento, ninguém resistiria.
Mas Deus não age com base no rigor. Age com compaixão.
Isso é misericórdia.
Tratar com bondade quem só deu motivos para o contrário.
Essa é a esperança de quem ora das profundezas.
Não ser ignorado. Mas alcançado.