Começo meu dia com o Salmo 129. Um dos cânticos de peregrinação. Fala sobre dor, libertação, justiça e direção.
Era entoado por quem subia a Jerusalém. Hoje me serve como lembrete: de tempos em tempos, preciso voltar ao Senhor.
O salmo me ensina a perceber a presença de Deus mesmo sob opressão. Ele é justo. Ele age. Não na velocidade que meu coração deseja, mas no tempo certo.
Não há espaço para ingenuidade. O mal precisa ser reconhecido. Mas é sabedoria confiar que os reparos virão. As punições, também. Cedo ou tarde, conforme a vontade d’Ele.
As “costas aradas” de que fala o salmo são marcas. Cicatrizes que moldam. Experiências que formam mais do que destroem. Nossa postura diante delas revela quem somos.
Minhas costas, espiritualmente falando, estão marcadas. Mais de uma vez confundi ser bom com ser bonzinho. Ajuda virou abuso. E mesmo depois de enxergar o golpe, caí de novo. Não sei por quê.
Deus permitiu que eu sofresse até aprender. Ainda não estou pronto. Mais dor virá. Mas estou melhor do que ontem.
Todos estamos indo a algum lugar. Viver sem direção é aceitar chegar onde não se quer. Eu quero ir em direção a Ele. E isso me consola.
Saber que há um caminho. E que até a dor ensina. As cicatrizes não podem ser negadas. Nem esquecidas.
Quanto à justiça, ainda estou aprendendo. Mas começo a entender: a maior expressão de confiança é parar de insistir no assunto. Deus é. E agirá conforme a Sua vontade.
Isso basta.
Que eu tenha gratidão mesmo nas adversidades.
E fé suficiente para crer: a justiça sempre chega.