Começo o dia com o Salmo 114.
Poema curto. O mar foge. Os montes saltam.
A criação não assiste — responde.
Não por milagre visível, mas por coerência com a presença.
O salmo não fala só do passado.
Fala de uma estrutura que ainda sustenta.
Deus não se impõe. Mas tudo vibra quando Ele está.
O Egito é mais que lugar.
É prisão interior.
A travessia é redenção.
Quando Deus toca, até o inerte se move.
A rocha cede. O caminho se abre.
O salmo convida à confiança.
E aponta para um fim que dá sentido ao agora.
Não como fuga. Mas direção.
Se até o mar recua, que desculpa tenho eu para ficar imóvel?