Começo meu dia com o Salmo 113, que fala do Deus que está acima. Mas não distante. Ele se inclina. Vê o que ninguém vê. Se move em direção ao que foi deixado de lado.
Levanta do pó.
Ergue do lixo.
Não por pena. Por justiça.
Não se trata de rebaixamento. É lucidez.
Ver com clareza.
Humildade aqui é saber onde se pisa.
A dignidade não vem do lugar que se ocupa.
Vem da presença que se carrega.
Deus não exalta apenas quem já é grande. Transforma quem o mundo chamou de pequeno.
A força do salmo não está no espetáculo.
Está no gesto. Silencioso. Firme.
Levantar o caído. Colocá-lo entre príncipes.
Isso diz algo sobre Deus. Mas também diz sobre nós.
Ver o outro. Levantar o outro. Agir com compaixão.
Adorar esse Deus é reconhecer o que Ele é.
E aceitar o que somos diante d’Ele.
Não como quem se apaga. Mas como quem entende.
Não somos o todo.
Mas o todo nos atravessa.
E dá sentido à nossa parte.