Chego ao Salmo 142. Atribuído a Davi.
Segundo a tradição, escrito enquanto se escondia de Saul, em uma caverna.
O que ele ensina? Quando não há refúgio, há o Senhor.
Quando ninguém pode ou quer ajudar, há o Senhor.
E isso basta.
Mas o salmo mostra algo mais.
Davi mistura lembrança e esperança.
Clama com dor no presente, mas traz consigo a memória do socorro passado.
Está aflito, mas não perdido.
Abandonado por homens, mas não sem direção.
Essa tensão, entre gratidão e súplica, me emociona.
Tento ser grato. Minha fé é consolo constante.
Mas percebo em mim um hábito sutil: confio demais nas minhas forças.
Planejo, executo, sustento. Até que a vida me lembra: há limites.
E quando tudo escapa, descubro de novo, é o Espírito do Senhor que me sustenta.
Não estou sozinho. Estou amparado.
Admiro Davi por sua coragem espiritual.
Ele foi forte não porque negou a dor.
Mas porque a apresentou a Deus. Sem filtros.
Orar como Davi orou exige mais força do que parecer autossuficiente.
Ao meditar sobre sua solidão, lembro de outra.
A de Cristo. A cruz. O silêncio do Pai.
O abandono momentâneo que abriu o caminho da reconciliação.
Se o silêncio de Deus naquele dia garantiu Sua presença hoje, então eu também quero aprender outro tipo de silêncio.
O da reverência. O da gratidão.
Que eu saiba esperar. Na caverna. Em paz.
Porque sei em quem tenho crido.