Começo o dia com o Salmo 106.
Ele anda junto do 105. Mas mostra o outro lado.
Se o 105 exalta a fidelidade de Deus, o 106 expõe a infidelidade do homem.
Não há omissão.
O texto narra falhas. Repetidas. Quase mecânicas.
É uma história de tropeços — e de misericórdia.
Israel erra. Pede perdão. Cai de novo.
Não é só memória coletiva. É espelho.
Cada ciclo descrito ali é uma versão do nosso.
O salmo não romantiza a culpa.
Mas também não encerra na falha.
Deus permanece. Mesmo quando o povo não permanece com Ele.
O contraste é direto: constância divina contra caos humano.
Ação contínua de um lado. Desalinho do outro.
E ainda assim, o verbo divino segue.
Cria. Recria.
Sustenta até quando não merece.
O Salmo 106 é lembrança incômoda.
Mas necessária.
Sem ela, o erro se repete.
Sem memória, não há retorno.