Ando cansado. Por isso, ontem resolvi fazer o dia diferente. Não trabalhei.
No almoço, fomos a um restaurante. Deixei o celular no carro, intencionalmente. Ficou lá. Silenciado. Longe do bolso, do olho, da mão.
Na volta pra casa, atendendo a pedidos, assistimos a um filme — que era só bom. Mas estávamos juntos.
Mais tarde, peguei o violão. Otávio pediu a música mais difícil que eu sei. Toquei. Errei. Ele adorou. Me olhou como quem vê mágica.
No lugar da soneca, saímos para uma caminhada na praia. Praia no sul: água gelada, vento forte, daqueles que quase empurram.
Depois, resolvemos “jogar tênis”. Ninguém sabe. Uma bolinha só. Saques pro nada. Virou revezamento de resgates. Rimos e desistimos.
Mais adiante, duas horas de quase nada. Conversa solta. Celular ainda de lado.
Jantamos. Outro filme. Mais ou menos, mas tudo bem.
Na hora de dormir, Otávio estava eufórico. Disse que tivemos um grande dia.
Quem disse que o dia espetacular não pode ser uma sequência de normalidades?