Vez ou outra, alguém me pergunta como consigo equilibrar a vida e o trabalho. A verdade é simples: não consigo. Pelo menos, não do jeito que a maioria chama de “equilíbrio”.
Há alguns anos, adotei uma filosofia que, para muitos, é controversa: sacrifico qualidade de vida para qualificar a vida. Parece um paradoxo, mas para mim faz todo sentido.
Sou aquele que trabalha nos finais de semana, que acorda antes do sol nascer e que, muitas vezes, vai dormir muito depois da meia-noite. Já terminei aulas que duraram o dobro do tempo previsto, simplesmente porque não consigo parar quando sinto que ainda há valor a entregar.
Em 2019, por exemplo, dos 365 dias do ano, 328 foram passados em hotéis. Vida de consultor. A pandemia trouxe um novo cenário e tornou o trabalho remoto mais aceitável, mas continuo acreditando que o contato presencial tem um valor que nada substitui. Ainda assim, mesmo hoje, passo dias seguidos na estrada.
Sou também aquele que lê um livro na praia, que interrompe um momento de descanso para anotar uma ideia e que, sem hesitar, começa a escrever um texto ali mesmo para compartilhar. Para mim, tão importante quanto “capturar” é “disseminar”. Crescimento não é sobre reter, é sobre manter o fluxo.
Aprendi a usar os fusos horários a meu favor. Durante o dia, aproveito a família. À noite, enquanto todos dormem, cumpro compromissos.
Reconheço que muito do que alcancei veio de uma boa dose de sorte e de Deus. Mas também sei que fiz minha parte. Quando entregamos tudo o que está ao nosso alcance, acredito que Papai do Céu se encarrega, se for da Sua vontade, de completar o que falta.
Viajo para onde quero e do jeito que quero. Dirijo o carro que escolhi. Moro como gosto. Como como gosto. E, acima de tudo, faço questão de oferecer ao meu entorno o que eles também apreciam.
Esse é o meu “desequilíbrio de vida”. Confesso. Sou culpado. Mas é assim que sou. E sou feliz assim. Prefiro qualificar a vida, mesmo que isso custe alguns sacrifícios.