Já conheci gestores tão comprometidos com uma meta que estariam dispostos a destruir a própria empresa para alcançá-la. Sério.
Falconi diz que “Liderar é bater meta, com o time, fazendo a coisa certa.” E também adverte que é muito raro encontrar líderes que sabem definir metas do jeito certo.
A coisa é séria. Principalmente quando a meta está associada ao bônus. Ao PPR.
Eu ainda acho que metas são importantes. Mas elas exigem cuidado.
A Lei de Goodhart diz:
“Quando uma medida vira meta, ela deixa de ser uma boa medida.”
Traduzindo para o mundo real: sempre que você transforma um indicador em objetivo, as pessoas começam a otimizar o indicador e não o fenômeno que ele deveria representar. A métrica passa a competir com a realidade.
E se houver um caminho mais fácil para que o indicador mostre sucesso, mesmo sendo um falso positivo, acredite, esse será o caminho que as pessoas irão adotar. É o efeito perverso dos incentivos. Você adiciona pressão, mas perde direção. KPI vira caricatura.
No fundo, Goodhart é um alerta elegante. Métricas são lentes, não motores. Se você confundir uma com a outra, prepare-se para distorções, atalhos espertos e comportamentos esquisitos. A pergunta inevitável é simples: você está guiando o sistema ou está sendo guiado por ele?
A meta sorri. O sistema chora.