É curioso notar que os autores do Antigo Testamento, especialmente nos Salmos, clamam por justiça. No Novo Testamento, o clamor é por misericórdia.
Os cristãos temem o julgamento porque veem seus casos como criminais, nos quais são réus. Já os salmistas os encaram como casos civis, nos quais são querelantes.
Tudo é uma questão de contexto.
O judeu ansiava por um julgamento justo porque tinha a certeza de que, se fosse ouvido por um juiz justo, este lhe seria favorável. Mas não havia justiça entre os juízes.
O cristão de hoje sabe que, na prática, é culpado — até quando argumenta ter razão, reconhece, em seu íntimo, que muitas vezes esconde motivos que têm pouco ou nada de nobre.