O ano era 1998.
Eu ainda não tinha 20 anos.
Programava bem, mas nada fora do comum.
Enfrentava um desafio: melhorar o desempenho de uma rotina crítica, capaz de atualizar milhares de coordenadas em milésimos de segundo.
O problema não estava no código.
Estava no método, no algoritmo e nas estruturas de dados.
Gostava de matemática e era bom nisso.
Passei dias mergulhado em livros, até encontrar uma solução elegante usando matrizes e conceitos de Gauss.
Empolgado, fui mostrar ao meu chefe.
Ele era, e talvez sempre seja, um programador melhor do que eu.
Para minha surpresa, não se animou.
Perguntou por que eu achava que aquilo funcionava.
Tentei mostrar no livro.
Ele interrompeu: queria saber por que eu acreditava que funcionava.
Argumentei usando Gauss como autoridade.
Ele disse que, se eu não entendesse de verdade, não teria como corrigir quando desse problema.
E problemas sempre aparecem.
Fiquei sem resposta.
Ele tinha razão.
Voltei a estudar até compreender completamente.
Só então defendi e implementei a solução.
Ela funciona até hoje.
E só deu certo porque, antes de escrever a primeira linha, eu entendi o que estava fazendo.