Chego em Eclesiastes 9.
Salomão escreve como quem encara um espelho sem filtro.
Fala sobre a morte.
A morte não negocia.
Leva o justo e o injusto.
Não distingue fé, mérito ou moral.
É parte do pacote da vida “debaixo do sol”.
Enquanto não chega, há espaço para viver.
E viver bem não é prolongar o prazo.
É gastar os dias com intenção.
Comer, beber, agradecer.
Honrar o amor.
Trabalhar como se o tempo fosse curto — porque é.
A morte também não marca hora.
O rápido pode perder.
O forte pode cair.
O sábio pode ser esquecido.
Tempo e acaso derrubam estratégias.
A sabedoria não interrompe o fim.
Mas muda o percurso.
Pode salvar, reconstruir, preservar.
Mesmo que ninguém lembre depois.
A morte apaga histórias.
Quando não apaga, distorce.
Vale mais que força e barulho,
mas um erro basta para comprometer um legado.
Adão. Acã.
E tantos outros que viraram exemplo — pelo que perderam.
Fecho a leitura com uma linha só:
Quem vive mal já morreu.