Dia de Salmo 103, de Davi.
O Salmo 103 é uma lembrança contra o esquecimento.
Um chamado para que a alma se levante, mesmo quando tudo dentro de nós quer se calar.
“Bendize, ó minha alma, ao Senhor” — é o próprio coração falando ao coração.
Não por costume, mas por necessidade.
É fácil ler o salmo com os olhos da infância: ver nele um Deus-pai, bom e protetor.
Ou rejeitá-lo como sinal de fraqueza — como quem louva por medo ou culpa.
Mas não. Eu vejo reconciliação, não submissão.
Vejo escolha.
O homem não se curva por ser fraco, mas por reconhecer que há um caminho mais alto.
Escolho louvar porque acredito que existe uma forma de viver mais plena, mais alinhada.
Um homem ideal, que não é invenção da cultura, mas decisão íntima.
Cristo é esse ideal.
Não um ponto de chegada, mas uma direção que ilumina o caminho.
Deus não está. Deus é.
Seu amor não oscila. Não se mede em sentimentos.
É constante como o tempo, firme como a verdade.
Louvar é reconhecer essa constância com gratidão.
Minha fé vive da tensão.
Entre razão e entrega. Entre silêncio e palavra.
Sei que sou feito de fragmentos herdados, de ideias que não sei se são minhas.
Mas escolho. Escolho amar. Escolho crer.
Não para provar nada, mas porque algo em mim responde ao que me chama.
O Salmo 103 não é só doutrina. É jeito de viver.
E minha vida, falha e inquieta, quer aprender esse jeito.
Não por merecimento, mas por graça.
Só por graça.