O ano era 2022.
Eu vivia sob o lema: se a vida é curta, não pode ser pequena.
Mas… eu estava exagerando.
Comer, beber, estar com quem se ama — nada disso é problema.
O erro foi achar que excesso também era celebração.
Fui fazer uns exames.
Luz fria. Cheiro de álcool.
O som seco da impressora cuspindo resultados.
Peguei as folhas.
Olhei.
Por um instante, achei que tinham trocado.
Não trocaram.
Era o meu nome.
E estava tudo ruim.
De bom, só duas linhas: sem colesterol alto. Sem AIDS.
O resto… todo errado.
Sempre escolhi ver o mundo com a lente cor-de-rosa da oportunidade.
Mas, naquele dia, a pergunta veio crua:
E se já for tarde?
E se eu não mudar?
Encarei como uma carta de Deus.
Dizendo: isso ainda não te incomoda.
Mas, se não mudar… vai.
Entendi o recado.
De vez em quando, ainda preciso de um bilhete.
A vida é curta.
Não pode ser pequena.
Mas, se você não cuidar… ela encolhe.
Ou acaba.